terça-feira, 6 de outubro de 2009

Brasil em 75º no IDH. Concentração de renda e riqueza é o maior vilão

A imprensa divulgou nos últimos dias os números do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) no mundo e o Brasil ocupa a modesta posição de 75º colocado. A colocação do Brasil é praticamente a mesma de quando da divulgação do último ranking. Essa divulgação é apenas a consolidação dos números divulgados em novembro do ano passado.
O resultado revela o tamanho da responsabilidade dos próximos governos para melhorar a qualidade de vida das pessoas. O ranking é formulado a partir do cruzamento de informações relacionadas a riqueza, educação e esperança média de vida.
Os dados analisados correspondem 2007. O Brasil experimentou, nos últimos anos, especialmente á partir de 2003, algumas mudanças importantes, mas isso ainda não foi suficiente para mudar radicalmente os levantamentos estatísticos.
A expectativa de vida do brasileiro ao nascer, por exemplo, é de 72 anos, o que é um resultado muito positivo. Em contrapartida, há um problema importante com a educação básica no Brasil. Só muito recentemente o país começou a se preocupar em oferecer educação pública de qualidade para a educação infantil, ensino fundamental e médio de forma articulada. Os resultados dessa preocupação ainda não fizeram efeito.
Ainda existem muitas crianças de zero a seis anos fora da educação infantil. As vagas do ensino médio não são suficientes para atender a quantidade de alunos que se formam no ensino fundamental. A correção dessas falhas pode melhorar a posição do Brasil nos próximos levantamentos a serem divulgados.
Mas é em relação à riqueza que temos o problema de maior gravidade. Mesmo se consideramos que nos últimos anos (entre 2003 e 2006) o Brasil conseguiu incluir entre os cidadãos mais de 13 milhões de pessoas que estavam abaixo do que se qualifica estatisticamente como linha de pobreza, a situação ainda é muito ruim.
O país possui uma das maiores concentrações de renda do mundo: a renda controlada pelas pessoas que representam a parcela 1% mais rica da população é praticamente igual à dos 50% mais pobres. Os números são ainda piores quando se considera, além da renda, o patrimônio acumulado (imóveis, indústrias e empresas, bens de consumo e investimentos financeiros).
Segundo o Atlas de Exclusão Social, estudo anual de pesquisadores paulistas, cercan de 10% da população detém 75,6% da riqueza nacional. Sobram 24,6% dos bens e do dinheiro para serem divididos entre 165 milhões de brasileiros.
Não há dúvida de que o meio mais eficiente para o combate à desigualdade social é o aumento dos salários. Aumentos substanciais são a forma mais direta para combater a desvalorização do trabalho humano, raiz da desigualdade e a grande causa da concentração de renda.
Entre 2003 e 2007, os trabalhadores que recebem salário mais alto no país tiveram aumento real de 4,9% enquanto que os de menor renda obtiveram elevação de 22%. O desenvolvimento dessa tendência pode ser um caminho importante para a recuperação da renda dos que vivem do trabalho e, por conseqüência, um dado importante para melhorar os índices futuros.
A crescente inserção de mais trabalhadores no mercado formal de trabalho pode ser outro indicador positivo no futuro. A recomposição das vagas eliminadas por causa da crise econômica está acontecendo de forma acelerada.
O Brasil pode comemorar índices positivos de geração de empregos com carteira assinada. Isso ainda não é suficiente, mas também é um caminho importante para que, nas próximas divulgações dos números do IDH, nosso país possa figurar em uma posição melhor.

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